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Afectos

Porque a vida é feita de afectos ...

Afectos

26
Abr24

Ao Zeca Afonso

África corria-te nas veias, desde que ainda homem muito pequeno, levado por desafio familiar, rumo a Angola, aprecias os rios atravessados por jangadas, trovoadas e floresta africanas.

Saltas muros e não esqueces Aveiro, que te viu nascer, nem Fundão do pai ou Ponte de Lima da mãe, e muitos outros locais onde pontualmente resides ou visitas.
Com um sorriso e alguma nostalgia, sonhas com o oriente, que parece estar eternamente na tua rota e muitas vezes é África que te recebe de novo.
O fado e a Canção de Coimbra agarram-te e por lá ficas, dentro e fora da tuna, entoando músicas. Muitas músicas, que te dão prestígio, mas que não te pagam as contas.
O salário de docente não é suficiente para sustentar a família entretanto constituída, mas de braços abertos, decides saltar fora da tua zona de conforto e investes ainda mais na música.
O lobo mau fez-te a folha, roubou-te o emprego e levou-te à prisão, porque eras um homem justo e defensor de causas.
Para a gravação do teu último álbum, foi preciso juntar alguns amigos, porque o teu estado de saude, não permitia que o fizesses sozinho.
Fomos presenteados com “Grândola Vila Morena”, que será eternamente um hino á Liberdade.
Mas também escutamos “Os Índios da Meia Praia” e mesmo que “Venham Mais Cinco”, com “Cantares do Andarilho”, “Traz Outro Amigo Também”, “Vejam Bem” que  “Verdes são os Campos”, vistos pela “Menina dos Olhos Tristes”. Não receies “Os Vampiros”. “Dorme meu Menino”.
Gratidão por tudo o que nos deixaste.
Fátima Camilo
20/04/2024

25
Abr24

Serei Estrela, Lua e Sol

 

Serei cravo, assim, vermelho
Serei cor de Portugal
Serei símbolo de Liberdade
de revolução sem igual
Serei e farei história 
para perpetuar a memória

Serei passado, presente
e o futuro a brilhar
Serei estrela, lua e Sol
àgua das fontes a correr
Serei abraço e gratidão
Serei cada amanhecer
Serei sempre uma parte

da vida a acontecer


#ditosdafátima

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24
Abr24

Antes da democracia

Os olhos marejados, deixavam turva a imagem, do documentário sobre Portugal antes da democracia.
Em vários momentos, a emoção tomou conta da noite.
Num passado recente, mas tão longínquo pela catadupa de acontecimentos e pelas mudanças que a democracia trouxe, penso e repenso, como foi possível ter vivido tantas daquelas situações, em que tudo faltava.  

As mulheres pariam em casa, com ajuda de outras mulheres, depois de um período de gestação sem qualquer acompanhamento médico.
Para a escola, iam apenas alguns. Faziam a 2ª classe, excepcionalmente a 4ª e poucos tinham a possibilidade de prosseguir os estudos.

Todos os braços faziam falta nas famílias, que subsistiam quase exclusivamente da produção agrícola de subsistência, cultivando largas extensões de terreno, com recurso apenas a artefactos manuais. As crianças da família, desempenhavam desde tenra idade muitas destas tarefas.
As habitações, não tinham electricidade, água canalizada, esgotos.
Na mesma casa viviam duas ou três gerações e na mesma cama, podiam dormir vários irmãos ou pais e filhos, deitados uns para a cabeceira outros para os pés.
A alimentação era fraca em carne e peixe, sendo sobretudo feita à base de sopa, pão, fruta e um ou outro conduto. O vinho era desde muito cedo dado às crianças. Tudo servia para enganar o estômago. Muitas crianças, apresentavam grandes dificuldades de aprendizagem, sobretudo porque tinham carências alimentares graves.
Os rapazes, eram obrigados a interromper a vida, para cumprir serviço militar, quase sempre, para combater em África.
As mulheres, eram consideradas seres inferiores, habitualmente domésticas, para se ocuparem do lar, dos filhos, fazer trabalhos de bordado, costura ou outros, como tratar do cultivo das terras anexadas à casa.
A indústria era pouca, o que reduzia ainda mais a oferta de trabalho. Para muitos, a solução foi emigrar.
A imprensa era controlada/censurada e não se sabia o que acontecia noutros países.
A rede de transportes era mínima e os acessos a muitos lugares, apenas possível por caminhos de terra batida.
Namorar na rua e gestos de ternura, eram punidos.

E eu, que ainda passei por tudo isto, tenho de conseguir contar esse viver aos mais jovens, porque é a memória contada, que nos permite construir um futuro com história livre de opressões, onde possamos viver em democracia e em liberdade.
Fátima Camilo

23
Abr24

Apelo


Apelo urgente:



Fabricantes de rebuçados e afins, podem por favor desenvolver forma de embrulhar os rebuçados em algo que não faça barulho, quando estamos a assistir a evento ou espectaculo que exige silêncio?

Obrigada

É que não se aguenta querer ouvir e alguém estar a desembrulhar o dito.....irra!


20
Abr24

Gemidos


Gemidos



Gemem as guitarras de dor

Dizem que é esse o seu fado

Geme este povo, de tristeza

Porque anda angustiado.

Gemem os jovens desnorteados

Porque não têm perspectivas

Foge o emprego foge a escola

E já não há para as propinas.

Gemem muitos desempregados

Porque a inércia os consome

Gemem os pobres às dezenas

Porque passam os dias com fome.

Gemem os avós, e os pais

Os filhos, netos e tios

Gemem noras e cunhados

Gemem genros e enteados

Gemo eu e gemes tu

Todos estamos desapontados.

Grita guitarra, bem alto

Diz que não queremos este fado

Grita aos homens do poder

Diz-lhes que o povo está cansado.

Grita bem alto guitarra

com as tuas cordas afinadas

diz ao Mundo que este povo

que cruzou continentes e mares

está pobre, e sem futuro

porque há quem gaste exageros

em luxos e compras à toa

e neste barco que anda à deriva

algures no Tejo em Lisboa

está uma tripulação louca

que nos quer pôr num abismo

mas nós, descobridores,

afáveis e bons trabalhadores

gritamos contigo guitarra

e dizemos a esses senhores:

Deixem-nos viver, seus estupores!



Fátima Camilo

20.04.2012

09
Abr24

Lethes

  Lethes

Neste rio por onde passo

vejo as nuvens e o arvoredo
barcos, pranchas, canoas
e as tainhas a saltar
Vejo crianças a banhos
em alegre brincadeira
mais acima a algazarra
própria dos dias de feira
de uma e outra ponte
numa e noutra margem
Observo diferentes paisagem
onde há história, há memória
onde há cimento, um desalento
Mas procuro um pouco mais
e descubro outros recantos
onde me perco no tempo
e aprecio os seus encantos
Este rio de que falo
é guardador de segredos
dos namoricos escondidos
dos guerreiros muito antigos
das verdades e das traições
talvez de muito casamento
da sua gente, das tradições
das lendas, do esquecimento
das concertinas, das canções
Fátima Camilo

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02
Abr24

Abril

É próprio do mês de Abril, as águas serem às mil
E vinha que nele rebenta, dá pouco vinho para o barril
Já a pulga e o cardo, por cada um nascerão mil
Não esquecer varrer a eira, e deixar essa canseira
Passear sim, mas regressa ao teu covil
Cuida-te com os negócios, só um é bom entre mil

Lembra-te que Abril frio e molhado

enche o celeiro e farta o gado
porém, na sua lua tardia

nenhum lavrador confia
já a sardinha, essa é vê-la e deixá-la ir

Água que em Abril ficar, no Verão há-de regar

Ainda que as chuvadas deixam as mentes amuadas

Saibam que Abril, Abrilete, é o mês do ramalhete.

Enquanto rir e cantar em Abril faz saltar

É mês de flores, alergias e suas dores

Estação primaveril, cravos de Abril.

 Viva Abril

 

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